O que validar primeiro
Antes de olhar para portefólios, observe as perguntas que o parceiro faz. Quem só fala de tecnologia vai entregar tecnologia; quem pergunta pelo negócio vai entregar resultados.
- Fazem perguntas de negócio, e não apenas técnicas?
- Propõem entregas por fases, com critérios de aceitação escritos?
- Conseguem integrar o CRM, os canais e as ferramentas que já usa?
- Definem quem é o dono do suporte depois do go-live?
Um «não» em qualquer destas perguntas custa dinheiro mais tarde: retrabalho, dependência ou um sistema órfão.
“Every company is a software company.”
Satya Nadella
Sinais de alerta antes de fechar
Desconfie de quem promete tudo sem definir limites:
- Sem premissas explícitas nem limites de âmbito — o orçamento vai crescer.
- Sem plano para desempenho e segurança — o problema aparece com os primeiros clientes reais.
- Sem KPIs ligados ao negócio — nunca saberá se o investimento funcionou.
- Sem modelo de manutenção realista — o custo verdadeiro esconde-se depois da entrega.
Disciplina de execução que importa
Um bom parceiro mostra o trabalho enquanto o faz: roadmap de 90 dias, demonstrações por sprint, revisão mensal de KPIs e decisões de compromisso explicadas em linguagem de negócio. Se só há notícias na entrega final, o risco é todo seu. É esta disciplina que transforma tecnologia num ativo durável — e não numa fatura recorrente.
Curiosidades
- A lei de Conway, enunciada em 1968, diz que as organizações desenham sistemas que copiam a sua própria estrutura de comunicação — a equipa que contrata molda o software que vai receber.
- O termo «engenharia de software» ganhou tração na conferência da NATO de 1968, convocada precisamente porque os projetos chegavam tarde e acima do orçamento. O problema que este checklist tenta evitar não é novo.
- Margaret Hamilton, responsável pelo software de navegação do programa Apollo, é creditada por ter cunhado esse mesmo termo.
- No ensaio «No Silver Bullet» (1986), Fred Brooks defendeu que nenhuma tecnologia isolada multiplicaria a produtividade por dez — desconfie de quem lhe promete o contrário.
- «Nunca ninguém foi despedido por comprar IBM» tornou-se um ditado da indústria nos anos 70 e 80: descreve a tentação de escolher o fornecedor «seguro» em vez do adequado.